domingo, 18 de março de 2007

A Vida dos Outros (Leben der Anderen, Das, 2006), de Florian Henckel von Donnersmarck


Estava ansioso para assistir ao alemão ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2007. Ansioso e com uma grande espectativa. Não digo que me decepcionei. O filme é bom. Agora, o outro concorrente O Labirinto do Fauno, do mexicano Guilherme Del Toro é muito melhor, um dos melhores filmes do ano passado. Quando este estrear em DVD, assistirei novamente e deixarei um post sobre esta história fantástica.

A Vida dos Outros pode ser considerado mais um daqueles filmes de espionagem. Mas como o filme relatado no post anterior, O Bom Pastor, não trata de uma narrativa eletrizante, com cenas espetaculares, sangue, mortes, etc. Trata mais das relações pessoais entre agentes secretos e seus objetos de investigação. Entre servir ou não à um país. Toca em temas como liberdade de expressão, de opiniões.

Tem seus momentos cansativos, suas cenas longas, música em certo momento muito dramática, parecendo uma novela. Em outros, o diretor consegue passar através de um ótimo trabalho de atores, expressões de dor, tristeza, angústia e felicidade.

O filme vale também pelo registro histórico.
É uma bela história. A de um espião que acaba se interessando pela vida do seu objeto de espionagem, e encontrando nele, aquilo que ele gostaria de ter sido. Pelo menos, eu percebi isso nesta tocante narrativa, pois o agente especial percebe no artista e na sua esposa uma relação de afeto que ele nunca sentiu na vida. O tema da amizade, presente também no filme de De Niro, é muito forte na obra alemã.

Sinopse: Em novembro de 1984, o governo da Berlim Oriental busca assegurar seu poder através de um cruel sistema de controle e vigilância sobre os cidadãos. O capitão Anton Grubitz busca ser promovido em sua carreira, com o apoio dos mais influentes círculos políticos da época, e para isso dá a um fiel agente do sistema, Gerd Wiesler, o encargo de coletar evidências contra o bem-sucedido dramaturgo Georg Dreyman e sua namorada, a atriz Christa-Maria Sieland.
Nota 7,5
Observação: filme baixado da Internet. Sem previsão de estréia nos cinemas brasileiros.

O Bom Pastor (The Good Shepherd, 2006), de Robert de Niro

Assisti o filme na Sexta-feira no Unibanco Arteplex. Não posso deixar de postar o quanto me irrita o barulho de pipoca, o cara que sentou ao meu lado e fez comentários durante toda a sessão(toda vez que passava o tempo na história, ele dizia para a sua esposa, como se ela fosse tão burra e estúpida que não conseguia perceber e entender sozinha) e aquelas pessoas que chegam atrasadas e não estão nem aí. Mas o pior foi que assim que o filme começou, uma mulher na minha fila se levantou, provavelmente para ir ao banheiro. Será que durante os 20 minutos de comerciais, traillers, ela não teve vontade? Foi ter apenas quando iniciou? Bom, vamos deixar estas questões e iritações para debater outra hora e vamos falar de O Bom Pastor.

Robert De Niro conseguiu com maestria dirigir uma história com centenas de personagens diferentes e de inúmeras idas e vindas. Tirando o sem graça Matt Damon (me tira aqueles óculos), todos os outros atores coadjuvantes estão muito bem. Comentário pessoal: como o Joe Pesci está velhinho e o que a cena em que ele aparece quer nos dizer? Será que ele está no filme por ser amigo de De Niro e portanto o cineasta teve que achar um papel para Joe? Apesar dessas dúvidas, a cena com Pesci teve uma excelente discussão: Pesci comenta que os americanos só querem fazer guerra e Damon responde que não, que os americanos fazem as guerras serem pequenas. Muito bom.

O roteiro aborda a formação da agência secreta americana CIA através do personagem de Damon, desde a sua iniciação em uma sociedade secreta, sua participação em serviços de inteligência internacional, seus trabalhos de contra-cultura, espionagem, etc.

Além da parte sobre a CIA, o filme também conta as relações familiares do casal formado por Matt e Angelina Jolie (maravilhosa), as relações entre pai e filho e aquilo que eu achei mais importante: os agentes da CIA não possuem amigos, não podem confiar em nada e em ninguém, visto que, e De Niro mostra isso, no nosso mundo ninguém é confiável.

Vale deixar claro para os leitores que o filme é longo, duração de 2h47min, e não tem nada a ver com os filmes sobre o submundo da CIA e outras agências de inteligência secreta, cheio de cenas de ação, explosões, traições, mortes e muito sangue. Então, quem não gosta de longa duração, muito diálogos, cenas paradas, tensões familiares, nem chegue perto das sessões de O Bom Pastor.

Agora, quem quer ver um grande filme, ótimas atuações, diálogos interessantes e uma excelente reconstituição histórica, vale a pena!
Curiosidade: O nome Bom Pastor é um termo de origem bíblica, usado geralmente pelas comunidades cristãs para lembrar a figura de Jesus Cristo. Na literatura universal, o Pastor é a figura-guia, política ou religiosa de uma comunidade. O termo é amplamente utilizado pelos seguidores de Jesus Cristo como aquele que se sacrifica pelos seguidores do seu projeto de vida.

Ficha Técnica:
Direção: Robert De Niro
Elenco: Matt Damon, Robert De Niro, Angelina Jolie, Joe Pesci, Jeff Applegate, Alec Baldwin, Billy Crudup, William Hurt, Timothy Hutton.
Duração: 167 min.

Nota 7

The Science of Sleep (2006), de Michel Gondry


Começo a postar no meu blog com uma das mais loucas viagens que o cinema já me levou a percorrer. Realmente, este filme é louco, insano, surreal! Uma das maiores experiências cinematográficas. Um show de imagens, quadrinhos, animação, luzes.

É sobretudo uma história de um rapaz que confunde realidade com os sonhos. E o filme é também sobre o amor.

Tirando algumas cenas cansativas, o ritmo um pouco lento e digamos assim, um excesso de criatividade por parte do diretor e roteirista Michel Gondry (diretor de Brilho Eterno de uma mente sem lembraças, filme este que também tem uma temática surreal), é um bom filme. Ou melhor, não sei se eu gostei do filme. O bombardeio de imagens surreais, sonhos, loucuras me deixou um pouco confuso. Acho que terei que rever o filme.

A trilha sonora é muito boa, sensível na medida certa e o filme possui ótimas músicas. As atuações são boas. O mexicano Gael García Bernal mostra que é um grande ator.

Tem cenas fantásticas, principalmente uma das cenas finais, do casal em cima de um cavalo. Achei uma bela cena.

Vejam, comentem no blog, para chegarmos à algumas conclusões sobre esta "diferente" obra cinematográfica.

Serviço: The Science of Sleep (2006), escrito e dirigido por Michel Gondry.
Gael García Bernal ("Diários de Motocicleta", "Má Educação", etc) é um sujeito que desenvolve uma técnica para controlar seus sonhos e a usa para, ao menos assim, ficar com a garota pela qual se apaixonou. Mas algo não funciona e ele acaba preso entre o sonho e a realidade.

Obervação: Assisti o filme através de um arquivo baixado pela internet. Não há previsão de estréia nos cinemas brasileiros.

Nota 7,5 (pelo surrealismo, pela invenção, pelas imagens, pelo trabalho de fantasia, nota 10)