domingo, 15 de abril de 2007

Latinhas

Como estou sem tempo para grandes indagações e críticas sobre os filmes, posto algumas latinhas:

- O Crocodilo, de Nanni Moretti: que belo filme! Uma história muito interessante e instigante com um pano de fundo político fabuloso e excelentes atuações. Gosto muito de filmes que abordam a história política de uma região ou nação. E também adoro quando o cinema fala do próprio cinema. Para exemplificar, comento a cena em que a moça que procura um produtor para realizar sua obra questiona algo mais ou menos assim: Será que ninguém vai fazer um filme sobre Berlusconi? Esta fala está diretamente ligada ao diretor italiano Moretti, que também se questionou sobre se não estava na hora de fazer um filme sobre o primeiro-ministro e dono de canais de TV, construções e com um passado e presente ligado à corrupção. Ótimo filme! Excelentes histórias! E só poder ter acesso à imagens do Berlusconi em conferências é sensacional, ele é um personagem muito irônico, engraçado e ao mesmo tempo triste para os italianos que confiaram nele.

- 100 escovadas antes de dormir, de Luca Guadagnino: indeciso entre criar um filme teen ou uma obra mais européia, sensual e com uma estética a la Bertollucci ou aquele "9 canções", o diretor se perdeu. Não conseguiu nem uma coisa nem outra. O resultado é uma produção fraca, com personagens desnecessários e com a impresssão de que poderia ter sido algo mais. Tem uma ou outra cena que se salva, como as imagens finais com uma grande quantidade de simbolismos. Não exite ao passar pela locadora: aluguem Os Sonhadores, do Bernardo Bertolucci que é uma grande obra com questões existenciais, filosóficas e políticas.

- 300, de Zach Snyder: Fui duramente criticado pelos meus amigos por expor a minha opinião de que este filme tem um pano de fundo muito político e muito maior do que se vê na tela. Para eles, é apenas pura diversão. Discordo! Como disse o cineasta Costa-Gravas em uma entrevista, todo filme é político! Concordo. Acho que 300 e a obra em quadrinhos do Frank Miller no qual o filme é baseado mostra a opinião de que a civilização do ocidente é superior, é forte. Por que então este filme foi feito só agora? Será que é porque o embate Ocidente x Oriente está mais acirrado do que nunca? Sendo assim, Hollywood fez um filme para defender as idéias do Bush? Será que contar uma história que mostra o povo do Oriente como cidadãos esquisitos, veados, bichas, homossexuais e que não são compreendidos pela raça superior do povo do Ocidente quer dizer alguma coisa no atual momento da nossa civilização? Essas são algumas questões que me vieram na cabeça após assistir à obra.
Bom, para aqueles que continuam achando que cinema é só diversão, então digo à vocês que em 300, encontrarão muita ação, muito sangue, batalhas violentas e super bem feitas, uma estética fantástica e imagens sensacionais. É um filme que vale a pena ser visto! Garanto que permanecerá por muito tempo no imaginário dos espectadores.
obs: o personagem interpretado pelo Rodrigo Santoro é hilário, uma verdadeira bicha (perdão pela palavra). Como diz o Kléber Mendonça, crítico pernambucano, Santoro interpreta um mestre-sala de uma escola de samba gay do inferno. Apesar de tudo, eu gosto de ver na telona, filmes feitos em Hollywood que tenham atores brasileiros. Acho que dá uma idéia de importância ao nosso país.

Veja logo também: Ventos da Liberdade, Elsa e Fred - Um amor de paixão, Notas sobre um escândalo, Pequena Miss Sunshine, Perfume - A História de um assassino, Pro Dia Nascer Feliz, A Rainha. (todos passando nos cinemas de POA e alguns já em DVD)

Fique longe: O Segredo!!!!

Sites para saber um pouco mais sobre cada filme:
www.cineclick.com.br
www.cinemacomrapadura.com.br
www.cenadecinema.com.br

Maria Antonieta, de Sofia Coppola


Maria - Isto é ridículo.

Dama de honra - Isto, madame, é Versalhes.


Um espetáculo! Um baita (gauchês) filme! Sofia Coppola nos fornece imagens sensacionais, cenas fantásticas e muito conteúdo íntimo. Um belo retrato de uma juventude que era obrigada a assumir a vida adulta muito cedo e que, sem ter passado por todas as etapas do crescimento racional de um ser humano, sofre com as responsabilidades e traz terríveis consequências, tanto pessoais como para uma nação.


Tiraram da Maria Antonieta a chance de aproveitar e curtir o período mais díficil, e que tem uma fundamental importância, da formação de um ser, a adolescência e a juventude. Período este de muitos sonhos, desejos de consumo. Numa vida normal, ela teria aprendido que nem tudo que queremos é possível. Porém, ao entrar na corte francesa e ter acesso à tudo que ela desejava como jóias, roupas, festas, bebidas, palácios, não soube se controlar e teve uma participação na ruína do reinado francês da época.


Destaco algumas imagens maravilhosas que o filme possui:

- a cena da 1ª noite do casal;

- o amanhecer da então princesa Antonieta após a primeira noite de núpcias;

- cenas do primeiro dia dela na corte e demais cenas que mostram a cansativa rotina do Palácio de Versalhes;

- as que mostram o pessoal do reino comentando e a culpando pela falta de relações sexuais com o príncipe-herdeiro;

- a grandiosa cena em que a agora rainha faz referência ao seu povo;


Então, se o filme não é grandioso e envolvente durante as 2 horas de duração, pelo menos tem cenas que podem sim emocionar, impactar e acima de tudo, mostrar uma personagem completa. Vale a pena!


Pílulas: - direção de arte do filme perfeita;

- muito interessante o uso de música moderna e atual durante o filme. Mostra que a rainha procurou fugir de alguns padrões da corte francesa e tentou modernizar um pouco algumas coisas. Assim como Sofia, que investe numa dramaturgia moderna, que não tem preocupação com a história e tem feito belos filmes.


Nota: 8



sábado, 14 de abril de 2007

O Ilusionista, de Neil Burger



Depois de assistí-lo, concluí quer era uma filme legal. Porém, ao raciocinar melhor e procurar outras opiniões, cheguei à seguinte conclusão: uma porcaria! Um filme que não revela nada, que não nos proporciona nada e que tem um desfecho muito mal feito.

Então nem vou escrever mais. Não quero perder meu tempo com algo que não me influenciou em nada. Alías, a fotografia do filme, que concorreu ao Oscar, para mim foi péssima. Prefiro muito mais paisagens modernas e envolventes. Não consegui entrar no clima "filme de época" proposto.


Quando forem na locadora, não exitem: aluguem "O Grande Truque", que possui uma premissa muito parecida, porém é muito mais envolvente, mais misterioso e é um grande filme. Este sim nos surpreende.


Nota para "O Ilusionista": 5 (vale um pouco pelo Paul Giamatti, que eu considero um dos melhores atores que existem).


Abraços e prometo que posto mais críticas. Assisti tanto filme, mas não consegui tempo para postar. Penso em talvez colocar pequenas observações sobre os filmes. Aguardem!