Como estou sem tempo para grandes indagações e críticas sobre os filmes, posto algumas latinhas:
- O Crocodilo, de Nanni Moretti: que belo filme! Uma história muito interessante e instigante com um pano de fundo político fabuloso e excelentes atuações. Gosto muito de filmes que abordam a história política de uma região ou nação. E também adoro quando o cinema fala do próprio cinema. Para exemplificar, comento a cena em que a moça que procura um produtor para realizar sua obra questiona algo mais ou menos assim: Será que ninguém vai fazer um filme sobre Berlusconi? Esta fala está diretamente ligada ao diretor italiano Moretti, que também se questionou sobre se não estava na hora de fazer um filme sobre o primeiro-ministro e dono de canais de TV, construções e com um passado e presente ligado à corrupção. Ótimo filme! Excelentes histórias! E só poder ter acesso à imagens do Berlusconi em conferências é sensacional, ele é um personagem muito irônico, engraçado e ao mesmo tempo triste para os italianos que confiaram nele.
- 100 escovadas antes de dormir, de Luca Guadagnino: indeciso entre criar um filme teen ou uma obra mais européia, sensual e com uma estética a la Bertollucci ou aquele "9 canções", o diretor se perdeu. Não conseguiu nem uma coisa nem outra. O resultado é uma produção fraca, com personagens desnecessários e com a impresssão de que poderia ter sido algo mais. Tem uma ou outra cena que se salva, como as imagens finais com uma grande quantidade de simbolismos. Não exite ao passar pela locadora: aluguem Os Sonhadores, do Bernardo Bertolucci que é uma grande obra com questões existenciais, filosóficas e políticas.
- 300, de Zach Snyder: Fui duramente criticado pelos meus amigos por expor a minha opinião de que este filme tem um pano de fundo muito político e muito maior do que se vê na tela. Para eles, é apenas pura diversão. Discordo! Como disse o cineasta Costa-Gravas em uma entrevista, todo filme é político! Concordo. Acho que 300 e a obra em quadrinhos do Frank Miller no qual o filme é baseado mostra a opinião de que a civilização do ocidente é superior, é forte. Por que então este filme foi feito só agora? Será que é porque o embate Ocidente x Oriente está mais acirrado do que nunca? Sendo assim, Hollywood fez um filme para defender as idéias do Bush? Será que contar uma história que mostra o povo do Oriente como cidadãos esquisitos, veados, bichas, homossexuais e que não são compreendidos pela raça superior do povo do Ocidente quer dizer alguma coisa no atual momento da nossa civilização? Essas são algumas questões que me vieram na cabeça após assistir à obra.
Bom, para aqueles que continuam achando que cinema é só diversão, então digo à vocês que em 300, encontrarão muita ação, muito sangue, batalhas violentas e super bem feitas, uma estética fantástica e imagens sensacionais. É um filme que vale a pena ser visto! Garanto que permanecerá por muito tempo no imaginário dos espectadores.
obs: o personagem interpretado pelo Rodrigo Santoro é hilário, uma verdadeira bicha (perdão pela palavra). Como diz o Kléber Mendonça, crítico pernambucano, Santoro interpreta um mestre-sala de uma escola de samba gay do inferno. Apesar de tudo, eu gosto de ver na telona, filmes feitos em Hollywood que tenham atores brasileiros. Acho que dá uma idéia de importância ao nosso país.
Veja logo também: Ventos da Liberdade, Elsa e Fred - Um amor de paixão, Notas sobre um escândalo, Pequena Miss Sunshine, Perfume - A História de um assassino, Pro Dia Nascer Feliz, A Rainha. (todos passando nos cinemas de POA e alguns já em DVD)
Fique longe: O Segredo!!!!
Sites para saber um pouco mais sobre cada filme:
www.cineclick.com.br
www.cinemacomrapadura.com.br
www.cenadecinema.com.br
domingo, 15 de abril de 2007
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